Fita anti-furo

Agosto 27, 2008

Desisti.

Depois de alguns furos bobos no pneu da speed, resolvi adotar a fita anti-furo.

Furos são normais. Quando o objeto furante é de tamanho considerável, tudo bem.

O problema é quando o pneu fura com objetos que mais se assemelham a grampos (daqueles de papel). Depois descobri o que são esses “grampos”: em estradas onde o asfalto foi feito com pneus, eles são picados, moídos, derretidos e sofrem outros processos. Essas coisas que eu achava que eram grampos, na verdade é o metal (aço) que foi utilizado na construção dos pneus.

Ontem instalei o Mr. Tuffy brasileiro, o TEC-TIRE. Paguei 38 reais o par na Estação Bike.

De cara já achei que a montagem do pneu ficou mais difícil, principalmente aquela porcaria do Continental, o Michelin foi mais tranquilo. A segunda impressão é que com as mesmas 110 libras eles parecem muito mais cheios do que antes.

Hoje vou pedalar para tirar ou confirmar essa impressão.


Guaporé

Agosto 26, 2008

Guaporé é uma cidade que fica na serra gaúcha. Quase no fim dela, também chamada de Nova Iorque em Chamas.

Saí mais tarde de casa dessa vez: pontualmente às 8 e 5 eu estava na esquina. Temperatura de 5 graus.

Não sei se foi o frio, a preguiça ou a má alimentação (fui dormir era quase 1 da manhã depois de chegar de um churrasco – sem beber!), mas demorei 5 minutos a mais para chegar em Farroupilha, comparando com a semana anterior.

Dessa vez a estrada para a Fenachamp estava com movimento menor, ninguém tentou me jogar pra valeta e fui bem tranquilo.

No final dela, peguei a estrada pra Bento. É o pior trecho da viagem. Na descida para o T dos caminhões, a turma passa a zilhão, e eu como não sou bobo nem nada, desci pelo acostamento. Passando o posto Di Trento a estrada fica estreita, o acostamento é inclinado (boooom pra cair quando estiver molhado). Fui bem devagar, na boa, desviando os buracos e pedras. O importante é chegar inteiro, não chegar rápido.

A subida pra Bento, depois da entrada do Vale dos Vinhedos não é difícil, o problema foi o movimento intenso e a ausência de acostamento. Quando há, ele é estreito e sujo. A subida não é difícil, mas esses fatores incomodam.

Passando a pipa é preciso manter a atenção. Zona urbana (ops) é sempre perigoso. Melhor andar devagar e no acostamento. Mas não levei nenhum susto.

Alguns quilômetros a frente saí da estrada e peguei a Rodovia Estadual Dr. Afrânio Hidalgo Ramos (não sei quem foi esse). Aí cruzei o primeiro trecho de pavés da Roubaix :) . Parei antes de descer o penhasco naquela vila que eu nunca lembro o nome. Comi um sanduba e um refri no bareco que existe do lado direito. A gringa que atende ali é bem simpática e quase não deixou comer, de tantas perguntas.

Bem alimentado fiz uma descida conservadora. Na vez anterior cheguei próximo aos 90 por hora. Dessa vez não passei dos 70. Mesmo assim ninguém me passou.

Na parte plana, a mais divertida da viagem cruzei pelos famosos 5 trechos de strada bianca. Os dois primeiros são curtinhos, coisa de 100 metros ou menos. O terceiro deve ter uns 500 metros, o quarto o dobro disso. O último é curtinho também.

Parei novamente na fruteira que tem logo depois da ponte sobre o ENCONTRO DO RIO DAS ANTAS COM O RIO CARREIRO FORMANDO O RIO TAQUARI, do lado esquerdo. A distância da parada anterior não era muita (uns 20Km), mas como tinha pela frente a subida da serra, sempre considero parar ali pra descansar e encher o tanque até a boca. Foi apenas um refri, uma banana e dois NutrelaPower, sabor figada.

Agora a subida da serra. Essa é show! São uns 10 quilômetros com trechos mais macios e vários pesados. Fiz sem paradas, sempre tentando ficar dentro do meu limite aeróbico (em pedaladas longas sempre procuro não ultrapassar ele limite, assim chego sempre inteiro).

Passei pela entrada de São Valentim do Sul, onde eu fui da outra vez e segui adiante. Aqui a estrada é bem tranquila, dá pra pedalar em cima da pista, que às vezes é boa, outras irregular, outras parece um sonorizados, alguns pontos com crateras. Mesmo assim é legal de pedalar ali.

Terminada essa rodovia (uns 20Km depois da fruteira), entrei na Rodovia Sinval Guazzelli em direção à Guaporé. Trechinho murrinha.

O asfalto é ótimo, mas o acostamento é grosseiro, embora sem buracos. Como a estrada tem (pelo menos naquele dia e horário) um movimento razoável, optei por pedalar ali sempre que possível. Claro que nas descidas onde minha velocidade era maior subia na pista, sempre mantendo um olho no queijo e outro no gato. Só perto de Guaporé o acostamento fica lisinho e aí conseguia manter uma velocidade maior. Resumindo: não é dos melhores lugares pra pedalar.

Cheguei em Guaporé com aproximadamente 5 horas de pedal e mais uns 30 minutos de parada, média de 23 (achei baixa, mas sabia que não estava forçando tanto) e fui direto pro hotel JC Borsatto, onde o proprietário é gente boa e deixou levar a bike pro quarto, mas se eu quisesse poderia deixar na recepção que ele assumia o compromisso… mas sabe como é… prefiro deixar meu carro aberto do que minha bicicleta solta.


Cicloviagem a trabalho

Agosto 18, 2008

Domingo, 17 de agosto: enduro de regularidade de motos em Santa Cruz do Sul. Eu tinha que ir trabalhar lá.

Como minha programação era ir de carona, mudei um pouco os planos: ir no pedal e voltar de carona.

Fiz algumas análises: distância aproximada de 170Km, previsões de paradas a cada 50-60Km em pontos estratégicos, roupas para trocar, etc.

Na semana passada, tentei colocar um bagageiro de canote na speed. Ninguém quis me vender um :) disseram que ia ficar muito feio. No máximo consegui uma bolsa de selim. Ali foram 3 câmaras, espátulas e o canivete de ferramentas.

Saí no sábado às 7:30. Friozinho, usei manguitos e o corta-vento. No camel, uma muda de roupas “civis”.

Caxias-Farroupilha (+- 18Km) => sem comentários

Farroupilha-Fenachamp (+- 40Km) => com exceção dos dois FDP que resolveram fazer uma ultrapassagem, ignorando totalmente minha presença no morro do 80 (quando vem alguém em sentido contrário, a gente pode ultrapassar ou deve jogar esse alguém pra valeta?), sem maiores destaques.

Fenachamp-Posto BR em Boa Vista do Sul (+- 50Km) => trecho “normal”, um tráfego chatinho na área urbana de Carlos Barbosa e Garibaldi. Fiz minha primeira parada aqui para tomar uma Coca e comer um pão de queijo. Estava com média de 25,9Km.

Posto BR Boa Vista do Sul-Lajeado (+- 100Km) => antes da serra, tem o trecho mais perigoso: uma curva sem acostamento, com tachões no meio, é preciso entrar com velocidade, cuidando se não vem descendo ninguém. A descida da serra tá uma nhaca, cheia de remendos e uns rebaixos a cada 50 metros, fica impossível descer a mais de 80Km/h (mesmo assim ultrapassei dois caminhões e vários carros). Depois da serra o acostamento fica bem razoável, dá pra andar na boa. Com o terreno é ondulado, a média horária sobe, o tráfego diminui (exceto nas áreas onde tem algumas vilinhas). O cruzamento por Estrela é tranquilo, andar pela BR até Lajeado idem. Chegando em Lajeado, cheguei a conclusão que aquele povo ou não está acostumado com bicicletas (o que acho improvável) ou não respeitam mesmo: levei várias fechadas, muitos ciclistas andando na contramão, pedestres que acham que bicicleta não é veículo, etc. Parei num posto na saída pra Venâncio Aires, onde em seguida chegaram vários guris com MTB e BMX e ficaram babando em cima da minha querida. Conversa vai, conversa vem, entre uma mordida e outra num sanduíche feito de pão velho, dei uma de pescador e menti um pouco, disse que tinha feito 150Km em 4 horas e estava indo até Santa Maria (mais 200Km) e queria chegar lá até as 16 horas (isso eram 11 da manhã).

Lajeado-Restaurante Casa Cheia em Venâncio Aires (+- 130Km) => sem a menor dúvida, o melhor trecho da viagem: estradão ondulado, ótimo acostamento, pouco movimento. Fácil manter uma média de 30 por hora (isso no modo economia de energia ativado). Mesmo assim um pouco antes de Mato Leitão furei um pneu, atrasando minha vida uns 15 minutos. Na chegada em Venâncio Aires, ameaçou uma chuva, o chão chegou a ficar molhado. Aí apertei o ritmo pra ver se escapava dela. Saí da Rota do Sol e peguei a Tabaí-Canoas. Um pouco adiante parei no Restaurante Casa Cheia (na verdade, a lancheria ao lado, mais simpática, chamada “Lancheria Tropical”). O alemão que atende é gente boa, conversador como só ele. Aqui só comprei uma água.

Lancheria Tropical-Santa Cruz (160Km) => saí da lancheria e já começou a chuva, um verdadeiro temporal, muita água mesmo. Passei pelo pedágio e um pouco adiante ela parou e o asfalto já começou a secar com a ameaça de sol que pintava. Comi ao mesmo tempo que pedalava meus últimos “NutrelaPower” mantendo uma velocidade em torno de 35 por hora (sem esforço). No ponto onde tem o pardal, por garantia comi um gel, pensando na tal subida das 7 curvas. Chegando nesse trecho, imaginei que fosse uma subida chata como o Eberle, é longa igual, mas com inclinação menor, subi toda ela a 20 por hora ou mais. Fiz o contorno bonitinho (não entrei na contra-mão no Fritz e Frida) e desci até o centro da cidade.

Números finais:
160Km (10 a menos que marquei de carro – seria a estrada da Fenachamp um “atalho?)
28 Km/h de média
78 Km de velocidade máxima
2 Cocas
1 pão de queijo
1 sanduíche de pão velho
4 NutrelaPower
1 Powergel
2 litros d’água

(o difícil foi fazer o pessoal que anda de moto acreditar que eu tinha pedalado até lá)